24.11.06

IDEAL

(Patrícia Evans)

PATRÍCIA EVANS

Este silêncio é estranho,
como estranho o teu rosto pálido,
estranha a tua mão vagabunda
estar parada, morta,
e estranho ver teu sexo flácido.

Como é estranho este silêncio!
Nem um ranger de porta,
nem um cair de lenço...
a tua boca imunda
estar assim fechada,
sem a palavra que corta.

Nenhum suor te escorre,
nenhum pensamento te assola,
nenhuma emoção te ocorre .
Estranha a tua pele fria...

teu semblante nada atônito
e ainda muito mais estranho,
a escandalosa delícia
de teu suicídio platônico.

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