23.11.07

AMOR QUIETO

AMOR QUIETO
(Franklin Cirino)
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Passa sempre ereta,
firme como uma torre que
toca com a língua os ares azuis;
não me vê.
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Ergo sentinelas nas sombras
para mirá-la do meu Universo secreto,
valioso e quieto como um diamante;
jamais saberá.
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Com os cabelos trêmulos feito estrela,
Que às vezes contêm com as mãos,
passa como passa
uma deusa arfante do Olimpo,
intocável,
intacta,
quando não ensolarada,
cheia de lua cheia, banhada.
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Pobre de mim,
que sou astro nenhum,
sequer anel ou satélite
- qualquer corpinho celeste -
sou um jeca comum.
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15.11.07

A BOA NOTÍCIA

A BOA NOTÍCIA
(Franklin Cirino)
.
Eu espero o e-mail da minha vida,
o telefonema que mudará
o curso errante e desamparado.
Espero a visita de uma amiga
mais que amiga no passado.
Um natal em que eu celebre um ano
de exausto trabalho recompensado,
um bom recado,
uma manhã de sábado
com o coração não angustiado.
.
Espero sentar sob uma sombra em uma praia
acompanhado de dois ou mais amigos poetas,
que bebam duas ou mais cervejas comigo
e falem as besteiras dos poetas embriagados.

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2.11.07

por quê?

depois da inquietude das nove
da fome das doze
do desespero das quatro
e da abnegação das seis,

pergunto: por quê?